Estão postados abaixo dois filmes que mostram histórias do holocausto judeu ocorrido na Segunda Guerra Mundia (1939-1945), onde, como a própria historia nôs conta, Judeus foram perseguidos e aprisionados em campos de concentração sendo obrigados a trabalhar e quando se tornavam 'inúteis' por falta de força decorrente se sua desnutrição eram levados até as câmaras de gás onde, por fim, eram mortos por anóxia decorrente do gás cianeto que lhes eram feito respirar.
Os filmes 'O Menino do Pijama Listrado' e 'O Pianista' são exemplos clássicos de tais tratamentos antissemitas que nazistas e fascistas 'ofereceram' aos judeus por serem considerados um povo impuro.
O Menino Do Pijama Listrado
O Menino do Pijama Listrado se passa em 1940 e tem início quando um menino de oito anos, Bruno, recebe a notícia de que terá que deixar sua confortável casa em Berlim e se mudar com a família para um lugar isolado, no campo. O motivo é a promoção de seu pai, um oficial nazista, que para ele é apenas um soldado. Bruno mora no que considera a casa perfeita, vai à escola, tem amigos e tudo que pode pedir. Uma mudança não estava nos planos do garoto que pretende ser explorador.
Logo que chega à nova casa, pela janela de seu quarto, consegue avistar uma grande fazenda, onde adultos e crianças passam o dia todo vestidos com pijamas listrados. Essa fazenda que ele avista do quarto passa a ser a possibilidade que ele tem de alterar a rotina solitária do lugar e arranjar alguém para brincar. No lugar não tem nada para fazer.
Bruno pergunta à mãe sobre as pessoas estranhas da fazenda, que andam sempre de “pijamas listrados” e é proibido de ir lá, mas seu instinto explorador fala mais alto e o garoto “descobre” um caminho. E lá ele conhece Shmuel, que também tem oito anos, mas vive do outro lado da cerca e forma uma improvável amizade com o menino judeu. Bruno não sabe o porquê de o garoto estar lá.
Bruno pergunta à mãe sobre as pessoas estranhas da fazenda, que andam sempre de “pijamas listrados” e é proibido de ir lá, mas seu instinto explorador fala mais alto e o garoto “descobre” um caminho. E lá ele conhece Shmuel, que também tem oito anos, mas vive do outro lado da cerca e forma uma improvável amizade com o menino judeu. Bruno não sabe o porquê de o garoto estar lá.
As visitas ficam cada vez mais freqüentes e, curioso, ele passa a perguntar a seus pais e à sua irmã o que é esse lugar e quem são aquelas pessoas, mas as respostas, ora evasivas, ora negativas, não têm nada a ver com o que seu coração lhe diz.
O local não tem nada de belo e de alegre como ele vê nos vídeos mostrados a seu pai, e o menino judeu não se parece em nada com o monstro desenhado por todos. Então por que ele tem que ser inimigo? Essa é uma das coisas que Bruno não consegue entender. Mas se o amigo Shmuel não pode vir para o lado de cá da cerca, por motivos que ele também não compreende, então talvez seja mais fácil que ele mesmo passe para o lado de lá.
Shmuel (Jack Scanlon), que na metáfora mais óbvia, é um duplo de Bruno, menino da mesma idade que vive do outro lado da cerca que demarca o problema. Ali eles estabelecem essa relação como reflexo num espelho quebrado, em que de um lado existe o arquétipo pronto da vida no quadrante correto, e no outro a expressão de todos os problemas desse quadrante expostos em cada detalhe: no dente cariado, no cabelo raspado, em tudo o tal menino do pijama listrado é o mesmo que Bruno, só que do lado errado da cerca.
Ficha do filme
- Direção: Mark Herman
- Elenco: Vera Farmiga, David Thewlis, Rupert Friend, Richard Johnson, Sheila Hancock, Jim Norton, Asa Butterfield, David Heyman, Jack Scanlon, Cara Horgan, Amber Beattie, Iván Verebély, Gábor Szebényi
- Nome Original: The Boy in the Striped Pyjamas
- Ano: 2008
- Duração: 93 min
- País: EUA/ING
- Classificação: 12 anos
- Gênero: Drama
O Pianista
Quase todas as histórias a respeito de sobreviventes do holocausto contêm algum momento de heroísmo. Mas, para cada uma delas, é provável que haja outra como a do judeu polonês Wladyslaw Szpilman, em cujas memórias da perseguição nazista se baseia O Pianista (The Pianist,França/Polônia/Alemanha/Inglaterra, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país. Szpilman tocava o Noturno de Frédéric Chopin num programa da rádio de Varsóvia, em 1939, quando os alemães entraram na cidade. Os Szpilman – pai, mãe, duas filhas e dois filhos, entre eles Wladyslaw – viviam bem e eram instruídos. Como muitas outras famílias judias, reagiram com certa incredulidade aos primeiros sinais de segregação. Quando a Inglaterra declarou guerra a Adolf Hitler, acharam que tudo logo se resolveria. Estavam, claro, enganados. A queda foi rápida, como narra Szpilman no livro que publicou em 1946. Primeiro veio a limitação das quantias em dinheiro que os judeus podiam guardar. Depois, as braçadeiras com a estrela-de-davi, a proibição de entrar em restaurantes, de sentar nos bancos dos parques, de freqüentar escolas. Em seguida, o transporte para o gueto, os trabalhos forçados, a fome, as execuções casuais, os cadáveres largados pelas ruas, a deportação para os campos e o extermínio.
Essa escalada tétrica já foi amplamente documentada. O que há de diferente em O Pianista é que Wladyslaw (soberbamente interpretado pelo americano Adrien Brody) não é um herói, pelo menos não na acepção do termo. O músico sobreviveu durante seis anos sem sair de Varsóvia – um entre talvez duas dezenas de judeus que o conseguiram –, às vezes por causa de sua música, outras vezes por sorte. Quase sempre, contudo, resistiu simplesmente por ser capaz de resistir – por se humilhar para pedir ajuda, por ter paciência para enfrentar a solidão, por não ceder ao desespero da fome, por não enlouquecer com o tédio. E também por ter enfrentado a culpa de todos os que não foram mortos – o de viver cada dia a mais como uma conquista e um castigo, conforme mostra em seu filme o diretor polonês Roman Polanski, também ele um sobrevivente do nazismo.
Polanski nasceu em Paris, mas tinha 6 anos e morava em Cracóvia desde os 3 quando a guerra começou. Todas as tentativas de escondê-lo com alguma família não-judia resultaram em fracasso. No dia em que o gueto foi liquidado, seus pais foram para o campo de concentração de Auschwitz. Ele só não teve o mesmo destino porque, na última hora, seu pai fez com que ele fugisse por um buraco no muro. A mãe de Polanski, que estava grávida de quatro meses, foi quase que diretamente para a câmara de gás. Seu pai sobreviveu, mas os dois só se reveriam muito depois de terminado o conflito. Durante a guerra, Polanski vagou pelo interior da Polônia (onde em várias ocasiões serviu como alvo móvel para soldados alemães) ou se refugiou com camponeses. Encontrado por fim por um tio, o garoto foi morar com os parentes, mas era tido como intratável e egocêntrico. Ao mesmo tempo, relatou um membro da família à revista The New Yorker há alguns anos, não havia quem não se dobrasse ao seu charme e otimismo. Desde o início brilhante de sua carreira, na Polônia dos anos 50, Polanski se destacava pela total ausência de sentimentos de inferioridade, quase uma epidemia no massacrado Leste Europeu de então. "Era como se ele estivesse disparando rumo ao futuro", descreveu o cineasta Andrzej Wajda. Outros diziam que ele era mesmo como um foguete – mas em fuga do passado.
No início dos anos 60, Polanski ganhou projeção mundial com o suspense A Faca na Água. Daí para a França e os Estados Unidos, os passos foram curtos. Depois do sucesso de O Bebê de Rosemary, em 1968, poucos cineastas eram tão disputados quanto ele. Poucos também viviam tão à grande e tinham amigos tão animados. Em 9 de agosto de 1969, o diretor estava em Londres quando foi avisado de que sua mulher, a atriz americana Sharon Tate, fora assassinada aos oito meses de gravidez, junto com outras quatro pessoas, em sua própria casa, pelo psicopata Charles Manson e seus seguidores. Choveram insinuações de que Polanski havia cortejado esse horror com seu estilo de vida e seus filmes. Essa imagem de dissolução ganhou força redobrada quando, em 1977, ele foi preso por ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos, Samantha Geimer.
Polanski estava fazendo um ensaio fotográfico para uma revista e Samantha era uma de suas modelos. Depois de fotografar a menina na casa dela, ele pediu para levá-la para outra locação. Apesar da notória preferência de Polanski por mulheres muito jovens, a mãe da garota consentiu em que ela fosse sozinha. Samantha e Polanski foram parar na casa – vazia – de Jack Nicholson, seu amigo desde Chinatown. Hoje casada e mãe de três filhos, Samantha diz ter sido embebedada e drogada pelo diretor, e seduzida contra sua vontade. Polanski alega que, pelo ânimo e experiência da menina, nunca adivinharia sua idade. Denunciado pela mãe de Samantha no dia seguinte, o diretor passou 42 dias na prisão, para avaliação psicológica (da qual saiu com ótimas notas). Pelo acordo entre defesa e promotoria, ele responderia apenas à mais leve das seis acusações. O juiz, porém, mudou de idéia. Avisado de que iria ser preso de novo e então deportado, Polanski fugiu na hora para Paris – por ser cidadão francês, está livre da extradição. Segundo as autoridades americanas, nada mudou desde então: se Polanski voltar, vai para a cadeia. Ou seja, não pode comparecer ao Oscar, ao qual está sendo indicado pela quarta vez. Nas várias vezes em que foi indagado sobre essa questão, o diretor respondeu que sente saudade da eficiência de Hollywood, mas tem paz em Paris. Aos 69 anos, casado desde 1989 com a atriz francesa Emmanuelle Seigner, 33 anos mais jovem, e pai de duas crianças, Polanski diz inclusive ser grato às tragédias e erros do passado, já que eles é que o conduziram ao que é e tem hoje.
Superficialmente, a revisão de parte desse passado em O Pianista pode ser lida como uma anomalia na carreira do diretor, que sempre afirmou que sua biografia e seus filmes são departamentos distintos, e que só filmou a história de Szpilman porque ela não é a sua. Há alguns anos, porém, a crítica começou a se dar conta de que nada ilumina os filmes de Polanski melhor do que aquilo que a sua biografia lhe ensinou – a claustrofobia do gueto, a persistência do mal, o imperativo da fuga. Ou ainda o instinto de resistir e olhar à frente. Visto por esse ângulo, O Pianista é mais do que autobiográfico. É um testamento. É um testamento.
Ficha do filme
Título original: The PianistDiretor: Roman Polanski
Elenco: Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Frank Finlay, Maureen Lipman, Ed Stoppard, Julia Rayner, Jessica Kate Meyer, Emilia Fox
Gênero: Drama
Duração: 148 min
Ano: 2002
Cor: Colorido
Legal o pianista, interessante que conta a história da guerra desde o começo mostrando, inclusive, alguns pontos de corrupção entre os nazistas!
ResponderExcluirNeste ainda saímos dos filmes estadunidense, pois o filme é dirigido por Roman R. Polanski, europeu que mostra uma visão de outros ângulos sobre a guerra!
Muito Legal!